Imagina escolheres deliberadamente alguém que consideras “menos” do que tu na esperança de que, por gratidão, essa pessoa te trate como um rei ou uma rainha. Parece uma boa ideia? Na prática, esta estratégia chamada shreking quase sempre acaba em frustração e desilusão para ambos.
O que é shreking é um termo que descreve a escolha consciente de um parceiro menos atraente, menos bem-sucedido ou “inferior” em algum aspeto, na expectativa de que ele se esforce mais, seja mais dedicado e te coloque num pedestal só por teres “descido” até ele.
De onde vem o termo shreking
O nome vem do famoso filme de animação Shrek. No desenho, o ogre verde e a princesa Fiona sentem-se indignos um do outro por causa da aparência, mas acabam por descobrir que o amor verdadeiro vai além da estética. No entanto, na vida real, o significado de shreking é bem diferente e muito menos romântico.
Aqui, shreking não tem nada a ver com aceitação ou amor genuíno. Trata-se de uma estratégia calculada: a pessoa acredita que o parceiro “não chega ao seu nível” e, por isso, deve compensar com mais esforço, atenção e devoção. Inicialmente usado para descrever mulheres que escolhiam homens menos atraentes esperando ser tratadas como princesas, o termo hoje aplica-se a qualquer género que procura intencionalmente alguém “abaixo” de si em beleza, inteligência, estatuto ou sucesso.
Por que o shreking não constrói relacionamentos saudáveis
O grande problema é que esta abordagem não se baseia em amor verdadeiro, mas em superioridade e condescendência.
Quando escolhes alguém pensando “ele/ela tem sorte de estar comigo”, crias desde o início um desequilíbrio tóxico. No fundo, continuas a acreditar que mereces alguém “melhor” e que o parceiro atual deve provar constantemente o seu valor. Esta mentalidade gera ressentimento, desprezo disfarçado e frustração constante — mesmo que o outro não tenha feito nada de errado.
Além disso, as relações não são uma competição de “quem é mais”. Atração, inteligência, sucesso e carisma são subjetivos e mudam ao longo do tempo. O que hoje parece uma “vantagem” pode inverter-se amanhã. E se o parceiro “inferior” crescer, melhorar e entrar na sua melhor fase? A estratégia deixa de fazer sentido.

As expectativas quase nunca se cumprem
Muitas vezes quem pratica shreking espera ser tratado como uma princesa ou um príncipe, mas o parceiro não joga segundo essas regras. Em vez de gratidão eterna, surge decepção mútua. Há até uma expressão em inglês — “to get Shrekked” — que descreve exatamente isto: cair na armadilha de shreking e ser tratado de forma muito pior do que se esperava.
O resultado é doloroso: autoestima abalada, sensação de rejeição e a descoberta amarga de que ninguém gosta de se sentir “a opção menos boa”. Muitas vezes, a pessoa que se sentiu usada acaba por sair magoada, enquanto quem praticou shreking fica frustrado por não ter recebido o tratamento especial que achava merecer.
Como reconhecer que estás a ser vítima de shreking
Se o teu parceiro:
- Constantemente te lembra (mesmo que de forma subtil) que é “demasiado bom” para ti,
- Não faz esforço real na relação,
- Demonstra desprezo ou superioridade,
é um forte sinal de alerta. Isto não é amor nem aceitação — é puro egoísmo disfarçado de estratégia romântica.
Relacionamentos saudáveis constroem-se sobre respeito mútuo, admiração genuína e vontade de escolher o outro todos os dias — sem jogos de poder ou sensação de “ter descido de nível”.
O que fazer em vez de shreking
Em vez de procurar alguém “menos” para te sentires superior, foca-te em encontrar uma pessoa com quem sintas conexão real, respeito e atração mútua. Aceita que ninguém é perfeito e que os melhores relacionamentos nascem do compromisso sincero, não de condescendência.
A verdadeira felicidade a dois surge quando ambos sentem que ganharam na lotaria do amor — e não quando um acha que o outro teve sorte.
E tu, já tinhas ouvido falar de shreking? Já viveste uma situação em que sentiste que eras a “opção menos atraente” ou que estavas a ser usado como “plano B”? Conta-nos nos comentários. Quanto mais partilharmos experiências, mais fácil será reconhecer e evitar dinâmicas tóxicas nos relacionamentos.


